1 - Cores Feias

2 - Cores com ideia de peso.

Assim é se lhe parece: O feio e o belo
O que faz algo nos parecer bonito ou feio? Nosso olhar capta uma imagem e instantaneamente já rebaixamos á categoria do que é feio ou exaltamos na categoria do que é belo.
A sabedoria popular diz que "quem ama o feio, bonito lhe parece", logo temos uma primeira pista de como julgamos as coisas. As julgamos a partir do nosso gosto pessoal, de nossas preferências, como por exemplo, de cor, modelo, formato, etc.
Isso talvez explique o fato de que algo ou alguem que a maioria das pessoas qualificam como sendo bonito é tipo por alguem como feio, e vice e versa.
Certa vez uma reportagem na tv, mostrou um estudo que relatava que as pessoas consideram bonito aquilo que possui simetria, ou seja, harmônico ao olhar, e exemplificou mostrando o rosto de algumas pessoas tidas como belas ou não. O fato é que, realmente, as coisas que são harmonicas em seu conjunto, tanto de cor, formato, etc, tem maiores possibilidades de serem consideradas belas, mas isso não é garantia já que tem que passar pelo crivo do gosto pessoal de cada um.
O famoso escritor italiano Umberto Eco, escreveu dois livros, História da Beleza e HIstória da Feiúra, nos quais faz um estudo sobre esses temas na história da humanidade. Algumas resenhas destacam que a história da feiúra é muito mais interessante e rica do que a da beleza. Abaixo segue uma dessas resenhas.
O repugnante em ´A História da Feiúra´
Todo mundo ama o belo, a ponto de estudos acadêmicos sobre o feio serem raros. E, embora os filósofos tentem há séculos uma explicação para os dois, o feio sempre foi definido em oposição ao belo
Umberto Eco em sua ´História da Beleza´, que ele contou há quatro anos, é a prova mais evidente que até mesmo o semiólogo se preocupou antes com o belo, a ponto de só agora lançar sua contrapartida, ´A História da Feiúra´ (Editora Record, 454 págs., R$ 160). Desde que o filósofo alemão Karl Rosenkranz publicou, em 1853, seu tratado sobre o assunto (´Aesthetik des Hässlichen´), poucos estudiosos - Adorno e Longhi, entre eles - ousaram colocar em discussão obras que trataram do repelente, do horroroso, do grotesco, do imundo e repugnante. Eco já abre com a imagem de uma picassiana mulher cubista chorando. Primeira pergunta: o que aconteceria se um viajante de outro planeta caísse numa galeria de arte e visse pessoas elogiando a ´beleza´ daquela mulher retalhada?Provavelmente, o tal extraterrestre pensaria que os homens consideram belas e desejáveis criaturas com dois narizes, como a mulher de Picasso. Mas poderia corrigir sua opinião num desfile de Gisele Bündchen. Veria aí celebrado outro modelo de beleza. Mas nós, simples mortais, argumenta Eco, que só temos o testemunho artístico de outros tempos, não podemos fazer verificações desse tipo. Eco limita-se, portanto, a registrar a trajetória desses dois valores na civilização ocidental. E já é muito. Olhos e cabeça agradecem. O leitor não vira página sem topar com um exemplo que ilustre o que diz o escritor sobre ´feios´ criados por artistas distantes tanto no tempo como em suas concepções estéticas, dos Cristos flagelados de Mestre Teodorico (século 14) às crianças enforcadas do contemporâneo Maurizio Cattelan.Eco segue um pouco os passos do hegeliano Rosenkranz, que traçou uma analogia entre o feio e o mal moral, retomando a idéia de que o feio é um possível erro que o belo contém em si. Mas seria possível pronunciar um juízo estético de feiúra? Eco escapa pela porta de emergência. Segundo o italiano, deve-se distinguir as manifestações do feio em si (um excremento, por exemplo) do feio formal, definido por ele como ´desequilíbrio na relação orgânica entre as partes de um todo´. Traduzindo em miúdos: alguém sem um ou mais dentes seria feio. Menos mal. Em outras épocas, lembra Eco, uma banguela ou uma velha com verrugas seriam atiradas ao fogo por gente supersticiosa, que nelas veriam bruxas sem dar a mínima bola para o que dizia Santo Agostinho a respeito. Lembra Eco que, para o autor de ´Confissões´, mal e feio não existem no plano divino. Antes da corrupção (falta de dentes incluída), havia valor positivo nessas ´bruxas´. ´Se a privação de valor fosse total, a coisa deixaria de existir´, defende. ´Portanto, o mal e a feiúra não podem existir, pois seriam um absoluto nada´, argumenta Eco. Bonito de dizer, difícil de engolir.
ANTONIO GONÇALVES FILHO
Agência Estado
Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=490496

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